O que é melhor (ou pior) ser radical, ou ser hipócrita? Tudo bem que são raras as vezes em nossas vidas que as situações são tão extremas,  mas quando se trata da forma de como gerimos nossas opiniões, essa é uma pergunta frequente (pelo menos para mim). É possível identificar defeitos em ambas as duas formas de pensar, não havendo uma ideia dicotômica bem definida (felizmente) de “radicalismo é do bem e hipocrisia é do mal” ou vice-versa.

Quando temos uma visão radical das coisas, podemos analogicamente dizer que é como se estivéssemos com viseiras, que nos permitissem ver apenas um dos lados, apenas a nossa verdade, nossa certeza, e não observar a situação como um todo, geralmente não prestando atenção (propositalmente ou não) para detalhes  importantes sobre determinado assunto que poderiam mudar nosso pensamento. Uma pessoa radical raramente está disposta a mudar seus pensamentos e opiniões, justamente por estes estarem firmemente definidos em suas mentes. Acontece que mudar o que pensamos e a forma que o pensamos é necessário. Nós evoluímos, o mundo evolui conosco e temos de evoluir novamente, acompanhando a evolução do mundo nesse ciclo que vai se abacar junto com nossa raça. Quantas pessoas não julgamos intolerantes por terem pensamentos radicais e opiniões que acreditamos não serem adequadas para nossa época? Será que pessoas como Jair Bolsonaro pensam consigo mesmas e evoluem seus pensamentos com o passar dos tempos?

E o que falar da hipocrisia? Por definição, uma pessoa hipócrita é uma que costuma “fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.”. É o falso, do cotidiano, talvez mais comuns até que os radicais. Hipócritas estão sempre sujeitos à mudança de opinião, porém, não de forma verdadeira. Pelo menos os que eu conheço, estão sempre acompanhando a corrente, fingindo fazer parte de uma “tribo” social ou gostar de uma banda de música, apenas para não se sentirem excluídos do círculo social, e por mais “nobre” (ou não, né?) que seja a razão dessa constante alteração de personalidade, não é bonito fingir ser algo que você não é. Porém, o que causa a constante mudança de opiniões nos hipócritas não é a hipocrisia em si, mas a evolução do mundo, querer estar sempre na moda, mesmo sem se sentir bem com ela. Existem, claro, as pessoas que sempre mudam sua personalidade não por quererem estar acompanhando tudo e todos, mas sim por estarem procurando pela mais adequada no momento, e se isso acontece com a personalidade,  porque não com o que pensamos, portanto, hipocrisia não é a constante mudança de pensamentos, não, hipocrisia é fingir ser algo que você não é (como já foi dito), a constante mudança é apenas uma consequência dos dias de hoje.

Como era de se esperar, não chegamos a uma conclusão, ou podemos ter chegado. O ideal é ser você mesmo, ter o seu próprio conjunto de opiniões, de idéias, e defendê-las até achar que elas estiverem certas, mas mudá-las quando perceber que chegou a hora certa, quando perceber que os argumentos já estão se tornando falhos, por mais modernos ou antiquados que sejam. Também não deixar-se levar pelas multidões, pelo fluxo, se sua opinião é igual a deles, vá em frente, mas se não é, não mude por se sentir estranho, certamente haverá pessoas entre as mais de 6 bilhões com as quais você poderá trocar figurinhas.